Entrevista| Carla Santos (1ºParte)

Olá a todos , como estão ? Espero que o vosso fim de semana tenha sido bom 🙂

Para hoje trago após tanto tempo uma entrevista , pois é estive ausente a nível de entrevistas pelo blogue, mas cá está. Esta era para ter saído antes mas só agora consegui que saisse. Espero que gostem e vamos lá conhecer a nossa Carla.

[Aqui falo sobre o feminino, ancestralidade, direitos humanos, o quotidiano de mães e estou a preparar uma nova dinâmica para breve.]

Olá desde já , antes de tudo explica-nos como surgiu o blogue ? Há quanto tempo o tens ?

Andei a deambular entre blogs, mas por falta de tempo, abandonei a ideia. Entretanto formei-me como Doula e como adoro escrever e acredito que a partilhar de pensamentos/testemunhos/experiências são um veículo forte de empoderamento, agreguei o blog ao meu site profissional. Criei o blog em 2017, e ainda estou a meio-gás.

Pelo que podemos ver , o nome do teu blogue em si é diferente. Explica-nos o seu sentido ?(se puder ser )

Comecei em 2015 pelo XXl3XY, que seria um blog familiar (xx eu mulher, L= love 3 XY os meus 3 homens; filhos e marido). Entretanto comecei a focar-me bastante nos direitos das mulheres grávidas e mães, ao mesmo tempo que estava a terminar o meu curso de doula, então evoluiu para o actual “doula Carla Santos”. Aqui falo sobre o feminino, ancestralidade, direitos humanos, o quotidiano de mães e estou a preparar uma nova dinâmica para breve.

Do pouco que tenho o privilégio de conhecer de ti , soube que foste mamã recentemente , como está a ser para ti seres mãe, mulher , filha ?

(lisonjeada) Sem dúvida que depois de ser mãe, a prespectiva  sobre a minha própria mãe e avós mudou. Fiz um rewind do meu crescimento,  observei  o que poderia fazer mais e quase que fiz uma viagem dentro de mim própria para entender o que podia fazer diferente. Porque crescemos num sistema social que nos engrena e faz acreditar que existe um caminho óbvio e que tem forçosamente que ser seguido.  Claro que não existe a mãe perfeito e eu sei que nunca vou ser a mãe perfeita, mas mudei tremendamente a forma como vejo a sociedade e os nossos padrões. Decidi romper com muitos deles, gosto de ter uma voz, gosto de a usar e acredito que é essa a herança que podemos deixar aos nossos filhos: usarem as suas vozes.

[ Ensina-nos a ver a vida com essa simplicidade. A felicidade reside efectivamente nas coisas mais simples. ]

Uma coisa que ninguém sabe é que trabalhas com bebés na piscina, como foi descobrires que era aquilo que querias fazer ? Como é a sensação ?

É verdade! Comecei a trabalhar em adaptação ao meio aquático (entre outros) em 2008, e assim estive até decidir ser mãe. Entretanto fiz uma pausa e voltei às piscinas em 2018, num grupo de natação onde também estão os meus filhos. Portanto o meu papel aqui não é o de dirigir, mas apoiar quem precisa. Como descobri? Bem, eu sempre fui um bocado “peixa” e sentia que muitas vezes a introdução ao meio aquático era um bocado brusca. Ainda apanhei a geração das amonas para ganhar estaleca na água, e abomino que se forcem crianças a entrar na água. Acredito que a água é o ambiente mais sereno onde podemos estar, os bebés estiveram a viver em ambiente liquido. Alguns até mais tempo dentro do que fora (começam normalmente aos 6 meses). Então serenamente, promovendo o vínculo, respeitando os seus limites, proporcionamos uma relação saudável com este elemento fascinante. É giríssimo, adoro a interacção com os pequenos dentro de água, a felicidade que sentem com a coisa mais simples é inspiradora. Ensina-nos a ver a vida com essa simplicidade. A felicidade reside efectivamente nas coisas mais simples.

Tens colaborado com diversos projetos, conta-nos como tudo isso chegou até ti e qual o teu papel em cada um ?

Depois de ser mãe, o meu activismo intensificou-se. Antes ia a marchas pelos direitos dos animais, direitos laborais, enfim… Acredito francamente que todos nós podemos ser o motor da mudança, se nos quisermos mexer. Percebi, ao passar pelos processos normais dos serviços públicos, que de facto temos serviços de excelência – é indiscutível – mas também é verdade que no meio da falta de profissionais/recursos, quem está na última linha (nós) muitas vezes somos tratadas como incubadoras. Senti uma diferença assustadora entre o parto do meu filho mais velho e do meu filho mais novo. Na altura da gravidez do meu filho mais novo, a minha doula tinha recém-criado a Associação pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto e eu admiro imenso a estaleca daquela mulher e os caminhos que se abriram. Dizia-lhe, ainda grávida, que gostava de integrar a equipa, mas obviamente como excelente doula que é, manteve-me focada na gravidez e no pós-parto. Quando me senti pronta, entrei e é um orgulho imenso aquela equipa de mães e pais, profissionais das mais variadas áreas, a trabalhar para dar voz às mulheres. Acho que o trabalho da APDMGP é demasiado grande para colocar num parágrafo, e não queria dominar a conversa por aí, mas espreitem o nosso site que vale mesmo a pena. Somos todos voluntários, os trabalhos dependem do que nos chega. Outra associação é a associação nacional de pais em ensino doméstico (ANPED) que integrei na sua formação inicial em novembro de 2011, a convite das impulsionadoras do projecto. Aqui lutamos pelos direitos dos nossos filhos neste regime de ensino, dando voz às necessidades que temos, assim como qualquer associação de pais. Sem ser voluntariado, actualmente integro o projecto Flor de Artemísia, onde combinamos as nossas áreas nos cuidados às grávidas e mães. Aqui a minha prestação é como doula, consultora de babywearing e facilitadora de workshops na área da parentalidade.

Se alguém se quiser juntar também a esses projetos é possível ? E como pode faze-lo ?

Sim, com certeza. Na APDMGP basta entrar em contacto com a nossa associação através do nosso site. Lá descrevemos todas as formas de apoio possíveis. O mesmo se passa na ANPED. Toda a ajuda é bem-vinda, em associações voluntárias!

Uma grande entrevista que promete muito, e como tal tem de ser divida em duas partes! A segunda parte sai na Terça-feira dia 2 de Julho!!! (Aguardem)

Aqui fica um dos seus links para verem: https://doulacarlasantos.wordpress.com/blog/

Um beijinho e sigam o seu trabalho

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4 Replies to “Entrevista| Carla Santos (1ºParte)”

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